"As imagens a frente nos remetem a ilusão de conhecermos o tudo de tão pouco espaço, num ângulo de visão distorcido quanto a realidade dos caminhos tomados ao longo da vida. A vivência de tempos nos transmite a certeza do ontem e a bravura do hoje, mas não pode nos mostrar o caminho do correto amanhã. Os versos em suas variadas formas, demostram de forma única a cada um de nós, as maneiras de levar a frente a maior incógnita do mundo, a vida! - Sintam-se a vontade para comentar ." O autor.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

COMO FICA

Fico pensando na verdadeira verdade
E procurando uma maneira de viver
Sem fazer sofrer um alguém especial
Procuro não demonstrar meus sentimentos

Faço de tudo para não me entregar
Ainda tenho muito medo de errar
Não quero com as emoções brincar
Quero me reencontrar e nada mais

Fica gritando meu coração
Ao tocar de sua mão em meus lábios
Fica mais longe a solidão
Quando teu peito encontra o meu
Fico te pedindo perdão
Pois sei que ainda erro nessa vida
Fico me culpando e então
Não me encontro nessas palavras perdidas

Fazia dias que queria te contar
Que a te amar estou aprendendo
Assim mais te querendo por perto
Não sei o certo, só sei que é assim

Finjo pensar longe estando ao teu lado
Me vejo calado ao som da tua voz
Enganando meus pensamentos
Incrustando meus sentimentos.

Diôzer R. Dias

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A COMPOR

Convido-te a compor
E a chorar se preciso for
Não importa o tamanho da rima
Apenas, palavras como imã.

Fale de lua fale do que vier
Mas ainda me beije se puder
Gosto de sentir tuas palavras de perto
Sempre estarei de braços abertos

A te esperar como só eu sei
Acredito que um dia errei
É realmente troquei versos
E me fiz aos inversos

Mudando e apagando o que fiz
Não sei bem como se diz
Mas hoje me serve de consolo
O que um dia será namoro

A grama mesmo molhada
Transmite em uma só olhada
O que eu deveria fazer
E escreve o que eu deveria dizer

Calculo e reconto
Amarro com um ponto
Minha boca fica calada
Cala-se no frio da alvorada

É escura a fria
Lembro-me dos versos daquela guria
E choro mais e mais
Já abandonei meus iguais

Não escuto conselhos a mil
Sei que a vida é presa a um fio
Que mesmo fininho é forte
Talvez esse seja meu norte

Procuro na rosa dos ventos
Leve, trançada a tentos.
A explicação de meus caprichos
Porque destes cambio-os

Não encontro uma explicação
Apenas o sentimento de decepção
Pelas maldades da vida
Pelos caminhos da lida

Tranço em versos feitos agora
Tudo e a qualquer hora
Que o dia me mostrar
Que ainda é tempo de amar

A lua minha companheira
Fiel à vida inteira
Ainda hoje esta calma, ali.
E eu, assim, calado aqui.

A grama já não é mais verde
A escuridão a deixa com sede
Que o sereno mata sem do
E faz em meu coração um nó

No este que se desfaz
Quando o sol fugaz
Vem inundando meu mundo
Deixando a tristeza lá no fundo

Quero um dia ser estrela
Para melhor vê-la
Bem lá do alto, nas nuvens.
Sei que um dia tu vens

Ajusto umas coisas quando tu vens
Trato-te com carinho, te quero bem.
Sabes que um dia te comentei
Que teu ainda serei

Mas calma tempo apressado
Não fica ai amarrado
Mexes-te bem devagar
Não me magoa em um olhar

Essa moça que traz tormentas
E que tempestades enfrentas
É a mesma que me sorve o mate
É a mesma que meu coração abate

Convidei-te a compor
Pois não gosto de impor
Minhas palavras desgarradas
Trazem palavras amadrinhadas

Traçam alguma imaginação
Perdida num rincão
Destes lugares tantos
Lembro-me de teus mantos

Todos leves e delicados
Sempre estiveram abraçados
Por uma pele esculpida na calmaria
Aproveitando a luz do dia

Mulher de mil olhares
Traz os 7 mares
Dentro de teu olhar
Que fica a me inundar

Busca na voz os ventos
Mesmo em noites de relentos
Sempre traz uma palavra doce
Pra os lugares onde fosse

Não posso falar muito agora
Sei que já esta na minha hora
Não quero tomar de teu tempo
Mas fica aqui apenas um exemplo

De como poderia ser um dia...
Será realmente que assim seria
Como a imaginação flutuante
Volto a ser eu mesmo, caminhante.

Sonhando com qualquer alguém
Mesmo sem ninguém
A meus olhos sou exigente
Tornaram-se uma vertente

Mesmo assim continuo aqui
Sei que tu ainda estas ai
Mesmo assim me perco a imaginar
Como seria em um todo, amar!
 
Diôzer R. Dias

segunda-feira, 28 de março de 2011

SEJAMOS NÓS

Mesmo que sejamos nós
Jovens loucos desse mundo
Fazemos dos amigos a vida
Puxando lembranças do fundo

Brincando de palavras
Nos escondendo entrelinhas
Tantas lembranças minhas
Removendo a solidão

Buscando outra forma
Que não seja normal
De viver a vida
Nesse mundo animal
Buscando aquele dia
Em meio ao temporal
Passamos a vida
Nesse mundo marginal

Rumando pelas cidades
Os pensamentos fluem
Talvez se mudem
Pras idéias inovar

Mesmo que o céu
Não esteja azul
Vejo o véu
Que cai em ti

Mesmo que brinque
De ser só seu
Busco em teu rosto
Um sonho meu.

Diôzer R. Dias

quinta-feira, 24 de março de 2011

O TEMPO QUE QUERO

Quero um tempo só pra mim
Onde eu possa ditar as regras
Quero algo que lembre a terra
Daquele momento distante

Quero um tempo andante
Que não me cobra por quem sou
Em um momento eu não vou
Lembrar desse passado maleva

Quero um tempo que me entrega
As chaves do meu destino
Onde nenhum taura malino
Tenha coragem de pelear

Quero um tempo para lutar
Por meus ideais guerreiros
Mesmo eles sendo caborteiros
São meus e de mais ninguém

Quero um tempo meu, não de alguém
Para mostrar a realidade
Que busca sem maldade
Minha verdadeira consciência

Quero um tempo que mostre minha essência
No seu mais puro momento
Trançado por vários tentos
Pode seguir firme, e ir sem rumo

Quero um tempo sem consumo
Onde a única coisa vendida
Sejam as alegrias da vida
Esquecendo um pouco o passado

Quero um tempo para ser amado
No verdadeiro sentimento escondido
Mostro-me, e sou teu amigo
Pra qualquer hora e momento

Quero um tempo ringido a tento
Que é pra não arrebenta
Mesmo que se procure manea
Segue-se no mesmo reboliço

Quero um tempo de feitiço
Uma fantasia para acreditar
Essa angustia poder matar
Com os personagens criados por alguém

Quero um tempo além
De qualquer outro vivido
Que nunca o tenha esquecido
Pra um outro recomeço

Quero um tempo... e não apareço
Permaneço aqui declamando
Quando solito, chorando
Por não ter tempo nenhum

Quero um tempo em que algum
Vivente mesmo maltrapilho
Permaneça como eu, andarilho
Buscando o inexistente infinito

Quero um tempo bonito
Que não existe, já sei
Onde Deus seja a lei
Por todo gaúcho andejo

Quero um tempo, e desejo
Mesmo em sentimento sombrio
Não deixar meu rancho vazio
Passando os tempos a assobio.

Diôzer R. Dias

segunda-feira, 14 de março de 2011

LEMBRANÇAS EMOLDURADAS

Tua estampa farrapa
Retrata os moldes de uma história
Nada escapa a tua vasta experiência
Nesta longa jornada de existência.

Chapéu de pança de burro
Teu limite entre o céu
E uma ponta de lança junto ao peito
Trazida como lembrança.

São resquícios de uma infância
Daquelas mal domadas
Que tu, homem rude desigual
Vem a anos domando um e outro bagual.

Um lenço a meia estirpe
É o que traz ao pescoço
Um osso de canela auxilia no nó
Que volta-o a profissão de ginete.

Encarnado como o sangue de suas veias
O lenço do xirú que a anos atrás
Viu entre os demais
De sua raça sulina.

Mais de uma judiaria
Entre seus irmãos, cuja única diferença
Era a cor do lenço que traziam
Se faziam animais entre homens.

O pala guarda entre o corpo
As recordações de um passado
Entrelaçado por lembranças e vivencias
E as tantas tendências hoje já esquecidas.

São experiências vividas
Por um homem do pampa
Que retrata sua estampa em versos
Guardadas, por um pala cor da noite.

O cinto que segura a bombacha
Já serviu de aconchego
E fez chamego a sua pistola
Que hoje demora a saltar da bainha.

Retratos de uma vida bruta
As mãos calejadas da terra ardida
Já não remetem feridas junto ao lanço
Trançado a capricho quando piá.

O companheiro desde a infância
Vai junto em toda carreteada
Por vezes fica solito
Só a escutar um grito de “Era Boi”

Um violão bem afinado
Um pinho de incontáveis histórias
Um alambrado de cordas
Um corpo esguio acariciado.

Cada favo da bombacha
Retrata uma anedota bem feita
Perfeitas não seriam elas
Sem a companhia da prateada.

Faca de muito carinho, delgada
No conforto de sua bainha
Sente-se uma rainha ao desfilar no povaréu
E ele, o réu, condenado a carrega-la por toda uma vida.

Se vem com os dedos dos pés aparecendo
Não é por relaxamento ou desgosto
É o amor pela tradição da bota de seu pai
Feita de algum garrão, arrancado a campo fora.

Sua casa não tem tramelas
Nem suas janelas são grandiosas
É simples, mas incomparavelmente belas
Estejam onde for.

Onde for seus pensamentos
Onde for seus sentimentos
Onde forem seus relentos
Onde forem seus ideais.

Sua casa é sobre rodas de madeira
Que de alguma maneira ainda hoje
Carrega os sonhos de algum bagual
Como um abraço em afeto paternal.

Emolduram novamente seus sentimentos
Uma forma de semente querendo germinar
Antes mesmo de terminar sua existência
Vai ainda pousar, na querência, do coração.

Diôzer R. Dias.

- Direitos:

Todos os textos/frases/mensagens/palavras/etc..., aqui postados são de autoria de Diôzer Rodrigues Dias, as imagens utilizadas foram retiradas através de site de busca na internet. Todo e qualquer artigo literário que venha a ser utilizado neste Blog levará como rodapé sua autoria.

Sem mais, espero que gostem da leitura e aproveitem bem o espaço destinado a comentários.

Att. Diôzer Rodrigues Dias.