"As imagens a frente nos remetem a ilusão de conhecermos o tudo de tão pouco espaço, num ângulo de visão distorcido quanto a realidade dos caminhos tomados ao longo da vida. A vivência de tempos nos transmite a certeza do ontem e a bravura do hoje, mas não pode nos mostrar o caminho do correto amanhã. Os versos em suas variadas formas, demostram de forma única a cada um de nós, as maneiras de levar a frente a maior incógnita do mundo, a vida! - Sintam-se a vontade para comentar ." O autor.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
CONVERSA COM O AMIGO
Buenas Patrão Celeste vou me achegando
Pra prosea um pouquito com meu companheiro
Um bueno e longo mate to cevando
Juro-lhe que vou ser mui ligeiro
Peço-te calma e paciência neste dia
Uma olhada paciênciosa para a peonada
Muita coragem, principalmente alegria
Pra enfrenta a geada da madrugada
O Senhor que foi sempre tão amigo
Para com todos os campeiros viventes
Levo-te juntamente comigo
Ainda somos gaúchos andantes
Conto sempre com teu laço
Trançado a moda campeira
Preencha-me em um abraço
E carrega-me pela vida inteira
Sempre confiei em tua força
Como senhor de todos os pagos
Falo auto para que bem me ouça
Quando me oferece afagos
Protege com teu pala meu rincão
Embala o poncho já encardido
Acendendo as brasas do coração
Revivendo algum bem escondido
Sei que tu também és gaúcho, Senhor
Contigo vou a qualquer peleja
Lutando apenas com fé e amor
Passo assim a vida inteira
Patrão, obrigado por mais este amargo
Cuida de todos que me querem bem
E os que não querem, um carinho ainda trago
Um dia, nós encontraremos no além.
Diôzer R. Dias
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
VOCÊ QUER?
O descaso de algum pensamento...
Me leva a longos devaneios!
Me transporta para um outro mundo.
Diferente, talvez seu, talvez meu!?
A dificuldade do recomeço é a força:
Da alma, julgando a fé.
Do corpo, testando a carne.
Do coração... será que ainda bate!?
Penso nas diferenças, como são, como seriam.
Penso em nos, em momentos.
Em reencontros mal escritos, inesquecíveis.
Penso em um ontem que não é hoje...
Mas poderá ser melhor amanhã, você quer?
Diôzer R. Dias
terça-feira, 8 de outubro de 2013
QUANDO VIERES...
Se assim no más vieres a me questionar.
Saiba que conheço todas as respostas existentes.
No momento em que me ouvir e chorar.
Apenas pare e pense como penso.
E se de olhos inundados reconhecer a verdade.
Receba de bom grado meu abraço.
Deixe que eu te envolva e te aqueça.
Te beije para que nunca mais se esqueça.
Se ficares só, não me culpe.
Lembre, veja fotos e apenas lembre.
Dos bons momentos sem preço.
Que de certa forma ficarão para sempre!
Diôzer R. Dias
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
CAMINHOS DA VIDA
Foi no momento exato que se fez.
Se fez justiça perante os olhos do homem.
Era ela, a insana que vem e cai.
A senhora que traz a vida, e renova as esperanças.
Chão molhado e vida nova.
Terra encharcada ligando os mundos.
Os nossos mundos tão distantes.
E tão pertos de nos.
Ou seriamos nos que estamos a nos distanciar?
Da verdade, da humildade...
Da justiça, da liberdade...
Dos princípios, da Humanidade!
São tantos os caminhos.
Diversos os destinos.
Mas apenas um, singelo e forte.
Pode nos levar a vitória, o Amor!
Diôzer R. Dias
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
MENINA FLOR
Linda menina flor que emoldurei
Nas retinas ganhou sina enamorada
Sempre lembro quando te encontrei
Ao passar perto do povoado.
Trago dentro de mim resquícios de ontem
Enquanto mateava acrabunhado
O tanto que tenho sonhado
Em te rever, me esperando na cancela.
Bueno o celin que me acolhe
Traz em si teu sinal de flor
Mesmo que ao longe eu olhe
Não posso mais te ver
Venho pela mão do domador de sentimentos
E cabrestiado pelo tempo, vivo de recordações
Venho peleando com nossos momentos
Que surgem feito aparições
Ao longo do estradão
Vou fazendo uma oração
Olhando minha santa no chapéu
Com seu véu a me guardar
Ao longo do estradão
Vai batendo um coração
Esperando por ela voltar
terça-feira, 20 de setembro de 2011
GAUCHOS DE SETEMBRO
Madrugada do dia 20 do mês de setembro de 1835. Ao raiar dos primeiros raios de sol um gaúcho dos mais valentes, rodeado de amigos cheios de ideais puderam ver o inicio da mais importante batalha travada pelos nobres homens e mulheres amantes deste estado.
Quase 10 anos após seu inicio, deu-se por encerrada a Revolução Farroupilha/Guerra dos Farrapos. Restaram na memória dos envolvidos e espectadores as lembranças, as lendas criadas, os mitos, os heróis e outras coisas que nunca saberemos.
Nesta época e vários até hoje são realmente gaúchos amantes das tradições e costumes que foram adaptadas ou realmente surgiram neste torrão situado no extremo sul do Brasil. A todos que possuíram o privilégio de nascer nessa terra, ganharam de presente o orgulho de dizer “eu sou gaúcho”, a liberdade de caminhar por vastos campos verdes e respirar o verdadeiro ar puro, ganharam o prazer de ter hoje em apenas 495 municípios uma diversidade incontestável de culturas e tradições trazidas pelos primeiros colonizadores que aqui pisaram e seguem com suas marcas até hoje.
São as diversificações do clima, a diversidade de culturas, os incontáveis sotaques, planícies, planaltos, serras, praias e o que mais a natureza puder nos oferecer que formam o estado em questão.
Aos que realmente cultuam nossas tradições não existe época para tomar um chimarrão, sair de alpargatas, soltar um sapucai, ouvir uma boa musica regada a gaita e violão, e enfim, continuar cultivando tradições por entre os tempos. São estes, tantos apaixonados pelo RS que mostram aos demais brasileiros o que realmente é ser gaúcho, embora, em muitos momentos estes mesmos, não estejam pilchados ou abraçados a um porongo enquanto esperam a água ferver na cambona que está presa a um tripé em fogo de chão, água esta que já fora usada para lavar a taquapi e esquentar as botas baias brancas pela geada.
Aos gaúchos de setembro que não me alegra muito em reconhecer que uma boa parte dos guapos que neste dia desfilam altivos os acontecimentos deste mês tão importante na nossa história e só o fazem no nono mês de todo ano (ao menos o fazem). Acredito que setembro seja o mês onde mais se vendam pilchas, graxa, erva-mate, garrafas térmicas, cuias, etc... Infelizmente itens esquecidos por praticamente 11 meses do anos.
Aos gaúchos de setembro, obrigado pelos poucos momentos despendidos para relembrarmos as tradições. Apesar de serem momentos aproveitados apenas como festa, sei que muitos adquirem a cada ano uma parcela considerável de cultura e paixão pelos costumes. Infelizmente o maior significado desta data para estes gaúchos, são as festas, a oportunidade de uma vez por ano “montar acampamento” e poder usar aquela bombacha balão sem ter a vergonha e o medo das criticas dos amigos que fazem o mesmo.
Entendendo as palavras de nosso hino entenderemos as razões pelas quais nos orgulhamos de ser brasileiros e mais ainda, de ter nascido no Rio Grande do Sul. Guardemos algumas palavras...
“Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.”
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.”
Diôzer R. Dias
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
QUERO SONHAR
Já a algum tempo
Uma paixão bateu ao peito
Lembro que não teve jeito
Inundou meu coração
Antes mesmo de pensar
Não queria acordar
Enquanto isso só sonhar
Jamais imaginei assim
Unindo vontade a fome
Li em seus lábios meu nome
Indagando meus pensamentos
Antes mesmo de pensar
Não queria acordar
Enquanto isso só sonhar.
Diôzer R. Dias
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
ALVORADA AMADORA
Bolhei olhares pra um norte
Que com muita sorte será meu rumo
Ao compasso de um minuano
Vou quebrando orvalho, devagarito.
O pingo a um compasso lento
Vai reforçando minha ancia em relento
Eu vou apressando o passo
Enquanto o sol desponta no alvorecer.
É a geada que se torna orvalho
É o inverno que muda o ciclo da vida
Ao passo que o sol desponta...
É a ida destorcida pelo pranto
É o acaso inundado ao descampado
Um companheiro bem encilhado
Pelo cusco baio amadrinhado
Nunca me leva onde eu quero
Mas sempre onde eu preciso.
Com as diferenças das fronteiras
Formando os pelos da indiada peleadora
É a vida amadrinhadora que renasce
Nesta alvorada, amadora.
Diôzer R. Dias
sábado, 23 de julho de 2011
SERIA MELHOR...
Ao tentar ler meus pensamentos
De idéias suas a frente encontradas
Varridas ao sabor dos ventos
Acumuladas em algum canto imaginário
Acumuladas nas prateleiras da memória
As poeiras dos sentimentos esquecidos
Dos momentos intensos vividos
Retrasem a vontade de mudança
Resta-me apenas, a fiel amiga, Esperança
Que se refaz a cada instante mais
Deste os tempos de criança
Quando as primeiras poeiras se acumularam
Olho para frente e revejo
O passado de um gauchito andejo
Viajado por infindáveis estradas
Formadas de seus pensamentos e sonhos
Procuro o calor do sol para me aquecer
Abrir os olhos para a vida lá fora
Talvez aproveitar melhor esse amanhecer
E lustrar meus sentimentos sem uso
Talvez seja assim, a um lustre sem fim
Que conseguirei desta vez, e sem esforço
Indagar o que realmente quero e serei
A uma memória já quase limpa da vida
Faxina quase pronta não sei se ainda quero
Muito de mim espero que talvez, melhor não
Prefiro permanecer a escuridão, a conhecer...
Conhecer a real realidade da vida.
Diôzer R. Dias
terça-feira, 21 de junho de 2011
AMANHECER DE INVERNO
Goteja o orvalho enquanto amanhece
Choram flores das mais diversas cores,
Pela alegria do sol nascente
Resplandece a natureza a renascer.
Como todo começo, iniciou-se o inverno
Frio inconstante com um vento incessante,
Varrem os dias, e as noites a fora
Desconfortando uns e alegrando outros.
Permanecem os velhos cabides ambulantes
Pessoas que vão e vem, ora quente, ora frio,
Com seus vastos casacos a cortar ruas
Apenas a face nua recebe o beijo do amanhecer.
Não fosse pelos motivos naturais
A necessidade de renovação dos seres,
A natureza teria feito tal estação
A imensidão de vários prazeres.
Esfria a palma e aquece a alma
Desencontram-se os sentidos,
Aflora a vontade de momentos únicos
Ao inalar gotículas de orvalho.
Resplandecentes a navegar
Tocam todos que encontram,
Elas anunciam a alvorada
Nos, nos despedimos da morada.
Diôzer R. Dias
quarta-feira, 15 de junho de 2011
FALTA DE VOCE
Veja o meu olhar
Querendo o teu corpo a todo instante
Tirando de mim sem perceber
O teu sorriso incessante
Olha, não confundo o momento
Meu sentimento por ti a explodir
Nossos carinhos a se repetir
A teus braços, me lançar
Vem tirar de mim esse sentimento
Vem ser meu aconchego
Nessa fria noite de relento
A meu coração da teu calor
Vejo em teu olhar
O brilho eterno, não vai cessar
Teu sorriso agora meigo
A me acariciar, só mais um instante
Pra que eu possa perceber
O quanto eu preciso de você
E mais uma vez vem me buscar
Para que eu possa, te amar.
Diôzer R. Dias
quarta-feira, 25 de maio de 2011
EM SOLIDAO
Hoje é domingo, inicio de inverno
Já são praticamente cinco horas da manha
Estou a avistar a lua em seu manto eterno
Vou aproveitá-la, não sei se a terei amanha
A lua esta pequena mas ilumina longe assim
Com a pouca ajuda das estrelas
Vai iluminando os caminhos pra mim
Para que eu sempre possa velas
Algumas nuvens aprimoram a paisagem
Estou aqui, sentado sobre uma pedra a beira d’água
Esperando que o céu me traga uma mensagem
E tentar arrancar do peito essa magoa
E ela veio, rápida, rasgando o céu
Como se entendera a mensagem desse aprendiz
Uma estrela morre, cadente, rasga o céu
Será que vai atender o pedido que fiz?
A noite de véu rasgado calou-se
Só ouvia o vento bater as folhas suas
E aos poucos o tempo, mudou-se
Na água as estrelas banhavam-se nuas
Incomodo-me ao sentir este frio
O minuano quase assobia
Mesmo assim ele continua calmo e macio
Sei que de tudo ainda não sabia
A lua que não vive sozinha
Ainda me escuta chorar baixinho
Ela por certo já fez sua casinha
Eu ainda construirei meu ninho.
Diôzer R. Dias
terça-feira, 10 de maio de 2011
OS QUATRO VENTOS
Não busco perfeição
Nem em meu coração
Não é brincadeira eu sei
A magia que nasce do olhar
É o vento carregando
Como se estivesse embalando
Uma folha pelo ar
Encontrando seu destino
O vento transcreve a história
Que fica em minha memória
Batendo a porta do coração
Com carinho e ternura
Vejo em teus passos a beleza
Com a alegria da natureza
Caminhas com o vento
Que vem dos quatro cantos
O vento norte
Que me traz a sorte
O vento sul
Mostra-me o céu azul
O vento leste
Teu coração me deste
O vento oeste
Um carinho fizeste
Não busco na alegria
Fugir do dia a dia
Mas em tua beleza encontro
Todos os tons da natureza.
Diôzer R. Dias
segunda-feira, 2 de maio de 2011
NOVO RUMO
Vive a inconstância de atos
Em relatos que a suspiros,
Mal traçados de suas linhas bem escritas
As manuscritas frases e pensamentos,
Perde-se ao relento de seus dessabores
Vividos a amores não esquecidos.
Percebe e relata com um olhar penetrante
O coração de seu amante eterno e incapaz,
Não tens o rosto de rapaz por ser frio
A um assovio mesmo vindo do coração,
A eterna solidão que nunca teve sexo
Tão pouco o nexo de sua existência.
Trazes no rosto marcas da idade
Sua mocidade ainda por viver,
Sem um dia esquecer os momentos passados
Os beijos adorados de uma família,
Que como filia única trouce de berço
Um branco terço e aprendera a rezar.
Já fez quinze e já fez vinte e um
E eu sou apenas mais um dos vários...
E vários versos que ela irá ler
Relembrar ao ver as pessoas de seu caminho,
Com seu vestido lilás limpinho a esperar
O rapaz certo a enamorar e seu coração entregar.
Vive rodeada de sonhos loucos
Seus poucos amigos de confiança,
Fé, esperança, alegria e o poder de sorrir
Faz ouvir teu coração a bater,
E se sem querer escapar algum perdão
Agarre-o com a mão, e o de a quem merecer.
Um dia irá crescer e esquecer do que fez
Talvez das brincadeiras e dos versos,
Inversos a realidade por ti sonhada
Sinta-te abraçada sempre que precisar,
Não relutes em procurar se já escondeu
Teu eterno “eu” perante o espelho que reflete.
Quando olhar para trás e ver que esta acabado
Ao lado de seu amado relembra os momentos,
Os ventos das praias, as estradas e as alegrias.
Quando viria a imaginar o que fez?
Comece outra vez, trace outro norte,
Conte com a sorte, e continue em paz.
Diôzer R. Dias
segunda-feira, 25 de abril de 2011
COMO FICA
Fico pensando na verdadeira verdade
E procurando uma maneira de viver
Sem fazer sofrer um alguém especial
Procuro não demonstrar meus sentimentos
Faço de tudo para não me entregar
Ainda tenho muito medo de errar
Não quero com as emoções brincar
Quero me reencontrar e nada mais
Fica gritando meu coração
Ao tocar de sua mão em meus lábios
Fica mais longe a solidão
Quando teu peito encontra o meu
Fico te pedindo perdão
Pois sei que ainda erro nessa vida
Fico me culpando e então
Não me encontro nessas palavras perdidas
Fazia dias que queria te contar
Que a te amar estou aprendendo
Assim mais te querendo por perto
Não sei o certo, só sei que é assim
Finjo pensar longe estando ao teu lado
Me vejo calado ao som da tua voz
Enganando meus pensamentos
Incrustando meus sentimentos.
Diôzer R. Dias
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A COMPOR
Convido-te a compor
E a chorar se preciso for
Não importa o tamanho da rima
Apenas, palavras como imã.
Fale de lua fale do que vier
Mas ainda me beije se puder
Gosto de sentir tuas palavras de perto
Sempre estarei de braços abertos
A te esperar como só eu sei
Acredito que um dia errei
É realmente troquei versos
E me fiz aos inversos
Mudando e apagando o que fiz
Não sei bem como se diz
Mas hoje me serve de consolo
O que um dia será namoro
A grama mesmo molhada
Transmite em uma só olhada
O que eu deveria fazer
E escreve o que eu deveria dizer
Calculo e reconto
Amarro com um ponto
Minha boca fica calada
Cala-se no frio da alvorada
É escura a fria
Lembro-me dos versos daquela guria
E choro mais e mais
Já abandonei meus iguais
Não escuto conselhos a mil
Sei que a vida é presa a um fio
Que mesmo fininho é forte
Talvez esse seja meu norte
Procuro na rosa dos ventos
Leve, trançada a tentos.
A explicação de meus caprichos
Porque destes cambio-os
Não encontro uma explicação
Apenas o sentimento de decepção
Pelas maldades da vida
Pelos caminhos da lida
Tranço em versos feitos agora
Tudo e a qualquer hora
Que o dia me mostrar
Que ainda é tempo de amar
A lua minha companheira
Fiel à vida inteira
Ainda hoje esta calma, ali.
E eu, assim, calado aqui.
A grama já não é mais verde
A escuridão a deixa com sede
Que o sereno mata sem do
E faz em meu coração um nó
No este que se desfaz
Quando o sol fugaz
Vem inundando meu mundo
Deixando a tristeza lá no fundo
Quero um dia ser estrela
Para melhor vê-la
Bem lá do alto, nas nuvens.
Sei que um dia tu vens
Ajusto umas coisas quando tu vens
Trato-te com carinho, te quero bem.
Sabes que um dia te comentei
Que teu ainda serei
Mas calma tempo apressado
Não fica ai amarrado
Não fica ai amarrado
Mexes-te bem devagar
Não me magoa em um olhar
Essa moça que traz tormentas
E que tempestades enfrentas
É a mesma que me sorve o mate
É a mesma que meu coração abate
Convidei-te a compor
Pois não gosto de impor
Minhas palavras desgarradas
Trazem palavras amadrinhadas
Traçam alguma imaginação
Perdida num rincão
Destes lugares tantos
Lembro-me de teus mantos
Todos leves e delicados
Sempre estiveram abraçados
Por uma pele esculpida na calmaria
Aproveitando a luz do dia
Mulher de mil olhares
Traz os 7 mares
Dentro de teu olhar
Que fica a me inundar
Busca na voz os ventos
Mesmo em noites de relentos
Sempre traz uma palavra doce
Pra os lugares onde fosse
Não posso falar muito agora
Sei que já esta na minha hora
Não quero tomar de teu tempo
Mas fica aqui apenas um exemplo
De como poderia ser um dia...
Será realmente que assim seria
Como a imaginação flutuante
Volto a ser eu mesmo, caminhante.
Sonhando com qualquer alguém
Mesmo sem ninguém
A meus olhos sou exigente
Tornaram-se uma vertente
Mesmo assim continuo aqui
Sei que tu ainda estas ai
Mesmo assim me perco a imaginar
Como seria em um todo, amar!
Diôzer R. Dias
segunda-feira, 28 de março de 2011
SEJAMOS NÓS
Mesmo que sejamos nós
Jovens loucos desse mundo
Fazemos dos amigos a vida
Puxando lembranças do fundo
Brincando de palavras
Nos escondendo entrelinhas
Tantas lembranças minhas
Removendo a solidão
Buscando outra forma
Que não seja normal
De viver a vida
Nesse mundo animal
Buscando aquele dia
Em meio ao temporal
Passamos a vida
Nesse mundo marginal
Rumando pelas cidades
Os pensamentos fluem
Talvez se mudem
Pras idéias inovar
Mesmo que o céu
Não esteja azul
Vejo o véu
Que cai em ti
Mesmo que brinque
De ser só seu
Busco em teu rosto
Um sonho meu.
Diôzer R. Dias
quinta-feira, 24 de março de 2011
O TEMPO QUE QUERO
Quero um tempo só pra mim
Onde eu possa ditar as regras
Quero algo que lembre a terra
Daquele momento distante
Quero um tempo andante
Que não me cobra por quem sou
Em um momento eu não vou
Lembrar desse passado maleva
Quero um tempo que me entrega
As chaves do meu destino
Onde nenhum taura malino
Tenha coragem de pelear
Quero um tempo para lutar
Por meus ideais guerreiros
Mesmo eles sendo caborteiros
São meus e de mais ninguém
Quero um tempo meu, não de alguém
Para mostrar a realidade
Que busca sem maldade
Minha verdadeira consciência
Quero um tempo que mostre minha essência
No seu mais puro momento
Trançado por vários tentos
Pode seguir firme, e ir sem rumo
Quero um tempo sem consumo
Onde a única coisa vendida
Sejam as alegrias da vida
Esquecendo um pouco o passado
Quero um tempo para ser amado
No verdadeiro sentimento escondido
Mostro-me, e sou teu amigo
Pra qualquer hora e momento
Quero um tempo ringido a tento
Que é pra não arrebenta
Mesmo que se procure manea
Segue-se no mesmo reboliço
Quero um tempo de feitiço
Uma fantasia para acreditar
Essa angustia poder matar
Com os personagens criados por alguém
Quero um tempo além
De qualquer outro vivido
Que nunca o tenha esquecido
Pra um outro recomeço
Quero um tempo... e não apareço
Permaneço aqui declamando
Quando solito, chorando
Por não ter tempo nenhum
Quero um tempo em que algum
Vivente mesmo maltrapilho
Permaneça como eu, andarilho
Buscando o inexistente infinito
Quero um tempo bonito
Que não existe, já sei
Onde Deus seja a lei
Por todo gaúcho andejo
Quero um tempo, e desejo
Mesmo em sentimento sombrio
Não deixar meu rancho vazio
Passando os tempos a assobio.
Diôzer R. Dias
segunda-feira, 14 de março de 2011
LEMBRANÇAS EMOLDURADAS
Tua estampa farrapa
Retrata os moldes de uma história
Nada escapa a tua vasta experiência
Nesta longa jornada de existência.
Chapéu de pança de burro
Teu limite entre o céu
E uma ponta de lança junto ao peito
Trazida como lembrança.
São resquícios de uma infância
Daquelas mal domadas
Que tu, homem rude desigual
Vem a anos domando um e outro bagual.
Um lenço a meia estirpe
É o que traz ao pescoço
Um osso de canela auxilia no nó
Que volta-o a profissão de ginete.
Encarnado como o sangue de suas veias
O lenço do xirú que a anos atrás
Viu entre os demais
De sua raça sulina.
Mais de uma judiaria
Entre seus irmãos, cuja única diferença
Era a cor do lenço que traziam
Se faziam animais entre homens.
O pala guarda entre o corpo
As recordações de um passado
Entrelaçado por lembranças e vivencias
E as tantas tendências hoje já esquecidas.
São experiências vividas
Por um homem do pampa
Que retrata sua estampa em versos
Guardadas, por um pala cor da noite.
O cinto que segura a bombacha
Já serviu de aconchego
E fez chamego a sua pistola
Que hoje demora a saltar da bainha.
Retratos de uma vida bruta
As mãos calejadas da terra ardida
Já não remetem feridas junto ao lanço
Trançado a capricho quando piá.
O companheiro desde a infância
Vai junto em toda carreteada
Por vezes fica solito
Só a escutar um grito de “Era Boi”
Um violão bem afinado
Um pinho de incontáveis histórias
Um alambrado de cordas
Um corpo esguio acariciado.
Cada favo da bombacha
Retrata uma anedota bem feita
Perfeitas não seriam elas
Sem a companhia da prateada.
Faca de muito carinho, delgada
No conforto de sua bainha
Sente-se uma rainha ao desfilar no povaréu
E ele, o réu, condenado a carrega-la por toda uma vida.
Se vem com os dedos dos pés aparecendo
Não é por relaxamento ou desgosto
É o amor pela tradição da bota de seu pai
Feita de algum garrão, arrancado a campo fora.
Sua casa não tem tramelas
Nem suas janelas são grandiosas
É simples, mas incomparavelmente belas
Estejam onde for.
Onde for seus pensamentos
Onde for seus sentimentos
Onde forem seus relentos
Onde forem seus ideais.
Sua casa é sobre rodas de madeira
Que de alguma maneira ainda hoje
Carrega os sonhos de algum bagual
Como um abraço em afeto paternal.
Emolduram novamente seus sentimentos
Uma forma de semente querendo germinar
Antes mesmo de terminar sua existência
Vai ainda pousar, na querência, do coração.
Diôzer R. Dias.
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